Como eu descobri meu propósito

Voando para o propósito

   Desde muito novo a gente se depara com a pergunta “O Que você vai ser quando crescer?” No auge das minhas fantasias eu dizia: Quero ser astronauta! Assim de bate pronto. Não lembro bem o motivo, talvez o prazer da aventura e do desconhecido. Na minha adolescência eu falava: “Advocacia”, nem sei porque eu usava essa palavra, eu nem sabia que o nome certo do curso era Direito.

   Meus dezessete anos foram chegando e a pergunta se transformaria numa escolha, qual curso de faculdade escolher? Dessa vez eu não tinha a resposta na ponta da língua. Então fiz uma escolha, “vou fazer para passar”. Então olhei a menor concorrência e prestei vestibular. Tentei História, Geografia e Economia nas faculdades públicas, mas não tive sucesso. Então fui tentar nas faculdades particulares, dessa vez eu pude me dar ao luxo de escolher o curso sem considerar a concorrência. Entretanto eu me flagrei sem saber o que fazer. Foi quando uma prima me falou para eu cursar informática, como ela era da área, conseguiria um emprego para mim. Bom, quem não sabe pra onde vai, qualquer caminho serve. Comecei a trilhar esse caminho, embora parte de mim gostasse de ciências humanas e de escrever, eu fiz uma escolha e fui até o final. Me saí bem, mesmo sem curtir matemática me formei sem reprovar uma cadeira se quer.

   Avançando mais um pouco no tempo… Eu já estava formado, pós graduado na área e trabalhando com suporte técnico. Porém uma insatisfação vinha crescendo dentro de mim, sabe aquela sensação que você está no lugar errado? “É porque não estou em uma grande empresa cheia de benefícios”, pensei. Então um grande amigo arrumou uma oportunidade em uma grande empresa no ramo de perfumaria. O novo me deu um gás, gestores diferentes, viagens e novos colegas. Isso tudo colaborou para que a insatisfação ficasse lá, silenciosa, mas presente dentro de mim. Eu passei a trabalhar com projetos depois de um tempo, isso me motivou embora ainda estivesse no suporte também. Mas veio a mudança do gestor, esse tinha um perfil muito diferente de todos que eu já havia me relacionado. Como um colega disse: “ele não era líder, era um chefe”. Esse desconforto trouxe uma insatisfação pungente. Se ela estava adormecida, agora me esperava na mesa do café da manhã às sete em ponto antes do trabalho.

   Eu não me sentia realizado, não via sentido no que eu fazia. Ter um chefe chato, um trabalho estressante e pagar boletos faz parte da vida. Mas a vida não deveria se resumir a isso. Minha insatisfação não estava toda na conta do chefe chato, ele foi apenas o catalisador da minha mudança. Eu precisava de um sentido maior para minha profissão, eu queria me sentir realizado, eu precisava de um propósito. Se tem algo que te impulsiona para o seu caminho é o desconforto. O desconforto de não saber qual caminho seguir num mundo de tantos caminhos, o desconforto da inquietação de querer algo que eu não sabia o que era, o desconforto de se sentir deslocado no seu local de trabalho, o desconforto de não me sentir ouvido pelo meu chefe, de não tomar decisões.

Propósito

   Alguns meses depois, após mais uma reunião desagradável com meu chefe eu pensei: “Que merda eu estou fazendo da minha vida?”. Foi nesse dia que eu percebi que eu deveria mudar. Eu também não queria continuar no suporte técnico, eu precisava mudar de área. Refletindo muito sobre o que eu gostava eu cheguei em uma conclusão: eu havia estudado programação e desenvolvi um sistema de helpdesk nas horas vagas na empresa em que trabalhei anteriormente. Desenvolver sistemas me conectava com meus valores, eu gosto de criar, escrever, construir coisas. Eu até já olhava com carinho para essa área, mas eu me achava velho demais para mudar e sem experiência profissional comprovada, contudo naquele dia essas desculpas não me convenceriam mais a ficar parado. Ajeitei o currículo e comecei a envia-lo. Não tardou para iniciar as entrevistas, todavia eu percebi que eu estava muito atrasado nas tecnologias que eu sabia. Descobri isso da pior forma, fazendo um projeto para passar em uma entrevista.

   Foi quando voltei a estudar para me atualizar, liguei para amigos que trabalhavam nessa área e comecei a pegar dicas do que estudar, qual linguagem tem mais mercado etc. Comecei a estudar uma linguagem nova, pois a que eu sabia estava desatualizada e não tinha um mercado aquecido. Fiz um amigo de mentor, ele até me ajudou a fazer um projeto desses de entrevista, mas desisti dessa vaga porque não me achei pronto. Porém eu continuava indo a entrevistas, pegando macetes e observando o que o mercado queria. Quando meu trabalho atual me parecia confortável, meu chefe me trazia um novo incomodo que me impulsionava novamente para sair. Seria mais fácil permanecer na mesma área, mas eu queria trabalhar com desenvolvimento e não iria mais adiar isso. Não tenho nada contra o suporte técnico, pelo contrário, acho fundamental. Só não é a minha praia.

   Quando o ano virou, a vida me deu um empurrão. Ao retornar das suas férias meu chefe me desligou da empresa. O motivo não ficou claro para mim, na verdade nesse dia ele só me elogiou. No fundo acho que o motivo era: “a gente não estava dando mais certo”. Eu já esperava o desligamento, então aquele sentimento de temor por perder um emprego deu lugar ao alívio. Peguei minha rescisão e segui estudando em casa, enviando currículos somente para vagas de programação. Nessa altura eu já tinha feito vários cursos e me considerava mais preparado. Não passou um mês e eu consegui entrar em uma vaga na maior rede de farmácias do Ceará. Estou um ambiente super agradável, com um líder que me deixa livre para expressar minhas opiniões e que argumenta de forma gentil quando não podemos seguir por um determinado caminho. Sigo estudando sempre, porque nessa área tudo muda muito rápido.

   Sobre meu chefe antigo, hoje eu o abençoo, assim como todos os desconfortos que tive em minha vida, pois graças a eles eu pude mudar, aprender e crescer. Não existe propósito melhor ou pior, nem sempre o propósito é nobre como salvar vidas, mas o que importa é o quanto sentimos realizados com o que fazemos. Você pode achar que não sabe seu propósito como eu achei. Ta tudo bem! Ele está aí dentro de você, dizendo que caminhos você não deve seguir, conduzindo você de uma forma que nem percebe. Portanto, pare e ouça o que você sente, sem julgamentos. Às vezes não precisa mudar tanto, só uma correção de rota pode te colocar no seu caminho como foi o meu caso. Também não existe idade certa, momento ou coisa assim. Só deve existir a vontade de mudar!

   Que você tenha uma semana abençoada rumo aos seus propósitos!!!

 

TEDx interessante sobre propósito aqui.

Nesse texto eu falo sobre fazer o que te dá tesão.

Garoto Perdido, mas que segue se encontrando.

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