Conto – O Encontro Parte 2/3

Conto o encontro parte 2

*Obs.: Essa é a segunda parte do conto. Se você ainda não leu a primeira parte, leia aqui

  O carro era luxuoso, de cabine dupla que ela não reconhecia o modelo. Na verdade, sua consciência estava por um fio. Fazia um sacrifício imenso para não desmaiar novamente. Estava no banco da frente, Robson travou o seu cinto. O rapaz deu a volta entrando no carro. Deu a partida e saiu. Desceu a avenida Dom Luís, pela janela ela via a movimentação de pessoas nos bares, em trailers comendo cachorro quente, alheios ao que se passava. Não sabiam que um criminoso covarde fazia mais uma vítima.  

  O homem encostou em um posto de gasolina. Um faixo de esperança acendeu quando viu aquele psicopata descendo do carro. Ele se dirigiu a loja de conveniência, cumprimentou o frentista mostrando muita cordialidade. Ninguém imaginaria o que ele estava fazendo. Ela não podia perder muito tempo, estava de posse do celular, bastava mandar uma mensagem para sua amiga. Reuniu forças para pegar o celular da sua bolsa. Não conseguiria escrever muito, suas mãos mal a obedeciam. Pensou na menor palavra que poderia escrever para ajudá-la. Escreveu: “ajuda”. Desconfiada como era Raquel, certamente entenderia. Enviou com muita dificuldade. Aguardou a confirmação do envio, não veio. O ícone do relógio não saía do aplicativo de mensagem instantânea. A qualquer momento Robson voltaria e a pegaria com o celular. Relembrou que havia se conectado no wifi do restaurante e desativado seu pacote de dados, por isso estava sem internet. Apoiou o dispositivo móvel na sua coxa direita, esticou o indicador par ativar a configuração dos dados, contudo perdeu as forças por um segundo e o celular deslizou da sua perna e caiu entre a porta e o banco do carro. 

  Se assustou com a porta do motorista abrindo. Sua chance de tentar escapar havia literalmente escorregado entre seus dedos. Ele segurava uma garrafa de água, abriu o porta-luvas para guardar a carteira. Rapidamente ela viu uma pistola antes que ele fechasse com violência. 

– Quase fico bêbado esperando está merda fazer efeito, você é resistente. Acho que isso tornou as coisas mais empolgantes. Confesso que no último minuto achei que você conseguiria entrar naquele banheiro.  Mas isso não iria mudar nada. Estaria lá fora esperando alguém avisar que uma bêbada caiu no banheiro.  

Lágrimas escorriam na face da moça. 

 – Não chore meu amor. Não é nada pessoal, são apenas negócios sussurrou: 

 Confesso que adoro fazer isso.  

 Arrancou o carro e seguiu enquanto a vítima finalmente se apagou. 

 O homem serpenteou as ruas de Fortaleza e finalmente pegou a estadual 040. Ao ver uma lanchonete seu estômago o lembrou que estava morrendo de fome. Sabia que o efeito do anestesiante iria demorar a passar. A sensação de conduzir aquela pobre menina a sua mercê o deixava extasiado, ele aproveitava cada momento antes de concluir seu objetivo. Não era a primeira vez que fazia isso, saboreava enquanto levava seu troféu. Então não julgou ser perigoso parar para um lanche, ajudaria a cessar a sensação de sonolência causada pela cerveja.  Parou o carro o mais próximo do local e desceu. O celular de Ana se conectou automaticamente na rede wifi aberta do estabelecimento e enviou a mensagem.  

 *** 

  Do outro lado da cidade Raquel ouvia o silvo que o celular deu ao receber a mensagem. Ajuda”? O coração da moça de repente palpitou depressa. Que diabos aconteceu? Ana não brincaria com essas coisas. Melhor ligar para ver. Porém como nos filmes de terror imaginou que o psicopata estaria próximo e seria alertado pela ligação. Mas se fosse só uma piada? Ana pode estar em casa só contando quanto tempo a amiga ligaria para saber o que houve. Várias perguntas invadiam a cabeça da garota que estava cada vez mais desesperada. Achou melhor responder à mensagem. Escreveu: “Amiga, tá tudo bem? Onde vc está?”. 

  A mensagem chegou no celular de Ana, porém não foi lida. Raquel ficou esperando, olhando fixamente para a tela até a confirmação de leitura do aplicativo, porém não aconteceu. Tentou ligar, mas ninguém atendeu. Em desespero pensou em ligar para seu namorado. Cláudio uma vez me disse que nosso celular armazenava nossa localização. Melhor ligar para ele. Pôs-se, freneticamente a ligar para o namorado. 

*** 

  Cláudio chegou até o apartamento da sua namorada ainda com cara de sono e furioso. Aflita, Raquel explica todo o ocorrido. 

– Você tá brincando? Isso é pegadinha da Ana. Você ligou uma vez pra ela e já me chamou para vir urgente – Desabafa Cláudio embravecido. 

Eu só preciso que você me diga onde Ana está. Hackea o celular dela por favor? Suplicou Raquel. 

– Não é assim que funciona Raquel. Eu não hackeio nada. Eu apenas vejo a localização que fica salva no maps. Só isso. 

– Então faz isso. 

– A Ana entrou no e-mail dela no seu pc recentemente? – Perguntou Cláudio. 

– Sim. Ainda ontem mesmo Respondeu prontamente. 

-Tá. Vamos torcer para que a conta dela esteja logada ainda 

  Cláudio foi até o computador de Raquel. Abriu o navegador e conferiu que a conta estava salva nas senhas do navegador. Navegou no google maps e deu um clique na linha do tempo. Um mapa carregou na tela do computador com linhas que iam de um destino a outro cortando a cidade. 

– Certo, está aqui a movimentação dela de hoje. Falou apontando para o mapa. 

  Raquel olhou curiosa. Aqui é a casa dela, depois foi para a Varjota conforme havia me comentado e parou em uma lanchonete na Washington Soares? Fica meio contramão da casa dela não acha?  

 – Olha amor – Disse Cláudio colocando a mão na têmpora tentando não ficar mais bravo com a namorada. – Ela pode simplesmente ter ido lanchar com o carinha. Ou talvez ela esteja indo para a casa dele, o que tem de anormal nisso? 

 – Cláudio, te daria toda a razão do mundo meu amor. Mas a mensagem que ela me enviou é muito suspeita, me diz onde ela está agora. 

Parece estar na lanchonete, o serviço não é um GPS. Ele só vai informar o canto que ela está quando ela parar por um tempo. Sem falar que do restaurante para a lanchonete o trajeto é incerto, disse apontando para uma lacuna na linha do tempo entre o bar e a lanchonete. Provavelmente ela não esteja com os dados do celular ativo o tempo todo. Ela pode ter ido para qualquer lugar. Por que não liga de novo pra ela? Disse Cláudio em tom impaciente.  

– Tá bom, vou ligar. Agora estou mais calma vendo esse mapa. 

Raquel pegou seu celular e começou a discar o número que ela sabia de cor. 

*** 

  Vinte minutos haviam passados e o sequestrador seguia seu curso depois de uma refeição reforçada. Na rodovia estadual ele pisou fundo para chegar o mais rápido ao seu destino. A noite estava fria e úmida, passava da meia noite quando olhou no relógio do painel do seu carro. Uma garoa caia deixando a pista molhada. Faltava pouco agora, o pior já havia passado. Pensou Robson. 

  O carro de Robson vinha muito veloz na estadual. Seu destino era fora de Fortaleza. Olhava a garota adormecida com satisfação. Preciso chegar logo e aplicar outro anestésico nela. Ana dormia um sono profundo. Enquanto o rapaz viajava em seus pensamentos, um pálio saiu de um retorno e entrou de uma vez na rodovia fechando o carro de Robson. Ele pisou no freio o mais forte que pôde e puxou a direção para a direita para desviar. Se não estivesse tão rápido, sua roda não teria derrapado. Embora tenha conseguido evitar uma batida muito forte, raspou na lateral direita do carro arranhando-o de uma porta a outra. 

Os dois carros pararam quase no meio da rodovia. Não havia nenhum outro carro naquela hora. 

– Merda!  – Gritou Cláudio batendo no volante e sacodindo a cabeça para frente e para trás. De repente para, respira fundo, ajeita seu penteado. Vou descer e resolver isso rapidinho. Pego o contato do motorista e depois resolvo esses arranhões. O carro consegue andar. Pensa Robson bem rápido. Dá uma olhada em Ana, ainda dormindo, sua cabeça está pendida para frente. Ele segura seu queixo e recosta a cabeça dela no banco antes de descer do carro. – Já volto para você meu amor diz em tom irônico. 

  Do outro carro descem dois rapazes jovens e bem vestidos. O motorista é um rapaz moreno de cabelos lambidos, está vestido com um jeans e uma blusa de botão azul marinho. O segundo é gordo, sua camisa listrada de botão está prestes a explodir. Uma barba emoldura seus dois queixos. 

Continua…

 

Garoto Perdido

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