Eu e meu pé de Manjericão

Homem e a natureza

   Quem me conhece sabe que recentemente eu me mudei, a casa que eu estou hoje possui espaço para um jardim na entrada e nos fundos. Não demorou muito para que eu começasse a fazer uma horta no meu quintal. Essa coisa de jardinagem acabou se tornando um passatempo gostoso pra mim. Me flagrei igual aquelas idosas na rua arrancando galhos para plantar em casa, observando plantas nas casas dos outros e indo a lojas especializadas comprar mudas e fertilizantes. Eu sou uma pessoas acelerada, então eu decidi plantar mudas, pois eu não teria paciência para colocar semente e esperar germinar. No começo, saí colocando as plantas muito próximas das outras, não tardou muito para ter que desplantar algumas e replantar em outro lugar. Eu ainda estou aprendendo esse negócio,  nesse processo eu mudei meu pé de manjericão que estava no seu cantinho todo pomposo, até flores o danado tinha. Pra completar, coloquei um adubo muito forte.

   Na manhã seguinte, observei que as folhas do meu pé de manjericão estavam murchas e caídas. Comentei com a minha esposa esse fato e ela atestou “Você matou o manjericão”. Mas eu fiquei na esperança que logo ele ressurgisse. Dois dias passaram e nenhuma reação, pelo contrário ele parecia mais desolado do que no dia anterior. Resolvi ver na internet se tinha jeito, vi que deveria arrancar todas as flores e folhas mortas para que o pé usasse sua energia para renascer folhas novas. A ideia me pareceu absurda, mas o que eu entendia de agronomia? Sem falar que ele já estava morto mesmo, não tinha como piorar.

   Então eu segui o conselho, como todas as folhas estavam mortas e as flores com um tom marrom, deixei somente os galhos. Me dava dó ver aquele manjericão que outrora estava cheio de flores e folhas completamente “pelado”. O jeito era esperar, decretei aquele espaço como zona de proteção ambiental, avisei pra minha esposa não mexer, mantive o portão do corredor fechado para os cachorros nem chegarem perto. Todos os dias quando acordava, eu abria a janela e encarava aqueles galhos secos na esperança de brotar alguma folha. Duas semanas se passaram sem que nada mudasse, me convenci que ele estava morto.

    Então numa bela manhã eu vi surgir as primeiras folhas! Verdes e sadias. Fiquei alegre apesar de não ser muita coisa, mas era um sinal de reação. Os dias foram passando e cada vez mais folhas apareciam e flores também.  Aquele pé de Manjericão me despertou para duas reflexões: A primeira, é que muitas vezes precisamos nos desfazer de tudo que está morto na gente para que algo novo surja. Sustentar algo que já morreu em nós, só fará perder energia e dificulte o nosso processo de renascimento. A segunda coisa é que a natureza tem o seu tempo que não é rápido e nem lento, é o tempo dela. Um ano não é nada para uma árvore, existem árvores que levam décadas para chegar no seu ápice. Enquanto eu achava que nada acontecia com aqueles galhos secos, as raízes estavam se enchendo de nutrientes e abastecendo os galhos e todo um processo interno que eu não saberia descrever. Assim sou eu quando penso que minha vida esta parada, na verdade, está acontecendo um monte de coisas que não percebemos, basta olhar em volta. A natureza ou a vida não estão nem ai pros nossos planos, elas irão agir no tempo delas. Só nos resta ter parcimônia e tentar aprender com o processo.

Manjericão
Manjericão, ainda tem muito galho sem folha, mas além de folha começou a dar flores na parte superior.

Como recuperar uma planta seca

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Garoto Perdido

 

2 thoughts on “Eu e meu pé de Manjericão

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