Os opostos não se atraem

   “Os opostos se atraem”. Eu acho essa frase tão romântica. Uma pena que só faça sentido em relacionamentos cinematográficos e literários. Se você tem um namorado(a) que não abre mão daquela cervejinha e futebol com os amigos todo fim de semana,  vai parecer legal no começo acompanhar. Mas depois vai ser um cansativo. Se sua namorada(o) gosta de reggae e você curte rock, ir uma vez ou outra em uma show será um sacrifício justificável, mas todo fim de semana será difícil aguentar. Não existe ninguém errado nessa relação. O que ocorre é a existência de incompatibilidades. Se você gosta de ficar em casa, não quer dizer que é mais certo do que a pessoa que gosta de sair. Porém as divergências não vão tornar seu parceiro mais atraente. Talvez fosse mais legal se ele(a) gostasse de forró como você e não fizesse esforço para ir a um show juntos. Tenho uma amiga que prefere namorar caras que gostam de beber porque são mais animados, eu prefiro pessoas que gostam de sair esporadicamente. Curtem cinema e viajar. Porque sou mais morgado. Quem está errado nisso? Ninguém! São apenas preferências. Mas os opostos não se atraem?

   Sabe quando os opostos se atraem? Quando você gosta de filme de suspense e ela de romance, mas ambos gostam de filmes. Quando você gosta de tomar uma cerveja e ela gosta de caipirinha, mas ambos gostam de sair para um barzinho beber alguma coisa. Isso não torna vocês muito diferentes. Por isso funciona. Aí você vem me dizer: “meu namorado não gostava de ir à igreja comigo, depois passou a ir e estamos felizes”. Deixou de ser oposto. Caso contrário não iria funcionar se essa diferençã fosse decisiva. Não falo de diferenças pífias. Falo da oposição que incomoda. Se isso existir na sua relação, fuja! Não adianta dar soco em ponta de faca. Isso é legal nos filmes, os desencontros, o(a)s vilõe(ã)s de malhação, as declarações no saguão do aeroporto quando o voo está prestes a sair. Essa dramaticidade hollywoodiana não funciona na vida real. Você pode me dizer: “mas quando existe amor tudo dá certo”, dá certo quando existe renúncia de ambos os lados, respeito e honestidade. Se só o amor sustentasse uma relação à maioria dos casamentos não fracassavam.

   Quero deixar bem claro que é uma coisa subjetiva. Não sou dono da verdade. Entretanto eu prezo numa relação um amor fácil, uma igualdade de preferências. Não tenho paciência para jogos psicológicos tipo “não vou atender agora porque vou demonstrar interesse demais”, “Não vou dar muita atenção, senão não vai querer mais”, “vou esperar que ele mande a mensagem porque a iniciativa tem que partir dele”, “não vou abrir mão do meu jeito por ele. Pois me conheceu assim”. Quem não gosta de você não vai passar a gostar de você por conta desses jogos e quem gosta não precisa disso. Sigo o ditado “Quem quer, quer. Quem não quer, tem quem queira”. Quero amores fáceis de se lidar, prefiro noites fazendo amor, do que fazendo hora no meio do mundo. Mas eu tô certo? É só questão de gosto. (escrito 10/01/15 – editado 15/05/16)

Garoto Perdido

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