Saudade em tempos de Pandemia

saudade e pandemia

   Se só damos valor a uma coisa quando perdemos já diz um antigo ditado. Foi preciso perder nossa tal “liberdade” para sentir falta até do vento batendo no rosto ou daquele vendedor importuno que oferece óculos escuros pirata na praia. Já fazem quatro meses que estamos enfrentando uma pandemia nunca vista como comentei em outro texto. Quem pode, fica em casa ou diminui as suas saídas de casa como pode. Quem quer sair para fugir do tédio, se vê impossibilitado, pois muita coisa está reabrindo com muita restrição. Nesse novo normal que estamos, o sentimento mais pungente em mim além do medo e frustração é a saudade.

   Ah como eu estou com saudade de ir ao cinema! Do cheiro de pipoca, de transitar pelo shopping e comprar guloseimas para ver ao filme. Saudade de dar um abraço! Detesto esse cumprimento de cotovelo que inventaram, ele não traduz nosso calor latino americano. Saudade de tomar uma cerveja com os amigos no espetinho, jogando conversa fora, falar mal de chefe, discutir sobre política. Saudade de sair por aí sem a preocupação constante se eu não esqueci a máscara, se estou com o álcool em gel. Sinto falta de ver TV e não ter que saber de números de mortos pelo novo Corona Vírus. Muita gente deve ter saudade daquele ente querido que perdeu por conta desse vírus maldito. São tantas saudades da nossa vida cotidiana normal que só demos conta depois que somos privados dela. Isso conecta com as frases triviais que dizem para aproveitarmos o momento.

    Mas de uma coisa eu não tenho saudade, da correria do dia a dia. Se existe uma coisa boa nessa situação, foi a obrigação de parar, de se reinventar. De pensar em como se conectar com amigos a distância, como ver shows, comprar coisas, resolver burocracias e olhar para si. Um momento bom para repensar na vida, fazer cursos, ligar para amigos que mal se via porque agora é a única opção é se falar por telefone mesmo e fazer vídeo chamados com a turma toda.

   A pandemia vai passar e logo iremos matar as nossas saudades que estão gritando dentro da gente. Eu espero aprender a dar mais valor essas banalidades, espero passar por isso minimizando danos e me aproximando mais do que é importante. Eu espero que eu continue a ter saudade das coisas e pessoas que eu gosto, porque isso me afirma que eu sou humano e que essas coisas valeram e valem a pena serem cultivadas. Que Deus nos abençoe e que essa crise passe e que eu aprenda seu significado.

Garoto Perdido

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