Uma página do diário

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   É engraçado como o tempo vai passando a gente vai se perguntando onde é nosso lugar aqui. Onde tudo isso vai chegar? Um dia desses eu era um garoto que ia pra escola cedo, embora odiasse acordar muito cedo. Mas sem muitas preocupações, curtindo a vida, pensando nas paixões. De repente a chave virou e vi meus primos distantes, meus amigos virando pai. Um desejo de ser pai também, mas sabe Deus porque ainda não rolou. Casado, contas, mãe não está mais aqui, pai distante como sempre foi. E a pergunta, o que eu vim mesmo fazer aqui? 

   Talvez quando a gente envelhece, o tédio vai chegando e nos damos o luxo de questionar as coisas da vida, questionar governos, sistema econômico e a forma como levamos a vida e o por quê ninguém se dá conta que está tudo tão errado? No passado eu não pensava nisso, na época da faculdade eu esperava a sexta, a saída com os amigos, a ida a casa da namorada, o show do Charlie Brown Jr. Eu me mantinha sempre no futuro, sempre esperando ansiosamente o próximo dia. Talvez minha hiperatividade me jogasse sempre em movimento e ansiando a próxima dose de dopamina.

   Hoje eu luto pra me manter no presente. Tentando viver o hoje por mais repetitivo que ele pareça. Sair com minha parceira, passear com os cachorros, jogar um bom jogo, ler um bom livro, até mesmo estudar programação. O home office acabou o tédio do trabalho, é como se eu “estivesse em casa”. Por mais que seja trabalho, tô com os cachorros, bem a vontade, uso meu banheiro e não pego trânsito. O presente é o único momento que eu posso viver, parece óbvio, mas nem sempre foi assim para mim. Não existe o futuro, é só uma promessa. Pensando nisso eu me pergunto: por que eu esperei tanto para fazer as mudanças que eu queria e quero para minha vida? Bom, pelo menos mudei algumas coisas. No entanto, eu sinto muitas saudades do que passou, dos amigos do colégio, das reuniões de família, da minha mãe, de conviver com meu irmão. 

   Por mais que eu me questione o sentido de tudo isso, pra onde eu vou, o que fazer aqui? Como me manter relevante, na ativa. Por mais que eu tenha cometido tantos erros no passado, me imaginado dezenas de vezes fazendo as coisas que eu não fiz, dizendo as coisas que eu não disse. Eu não negarei jamais como eu fui e sou feliz e grato a Deus por tudo isso. Não sei se algum dia eu encontrarei respostas para todas as minhas perguntas, mas espero estar vivendo um dia por vez, gerenciando meus impulsos e minha vontade de fazer tudo ao mesmo tempo. A minha vida pede urgência, mas eu preciso de parcimônia para entender que cada coisa tem o seu tempo, como uma árvore no meu quintal que por mais que eu agoe , fertilize, ela vai crescer no tempo dela. 


Garoto perdido, tentando se encontrar…

2 thoughts on “Uma página do diário

  1. Eu me enxerguei no seu texto, com a diferença que já tenho filho. Realmente a maioria das pessoas, em dado momento, pensa no motivo de estar na Terra. Eu sempre fui questionador sobre política, relações pessoais, porém depois dos 25 anos fiquei quase insuportável, até pra mim as vezes hahaha. Hoje tenho 34 anos e parece que dos 15 pra cá foi um pulo, temos que valorizar e aproveitar o presente, o tempo voa e o futuro ninguém conhece.
    Erick postado recentemente…The Boys | Trailer da 3ª temporada é denunciado mais de 20 milhões de vezesMy Profile

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